Meu Pai - Iolanda Brazão

Assim partistes.
Sem ao menos despedir de mim.
Não chamastes pelo meu nome.
Não me deste um abraço.
Por que?
Precisava ir assim desta maneira?
Tinha que ser agora?
Por que não deixastes pra ir outra hora?
Assim eu poderia ver você mais uma vez.
Poderia dar-te um abraço apertado
e dizer o que sempre dizia:
- Pai, eu te amo...
Veria então teu sorriso largo,
o som lindo da sua risada.
Ficaria a te afagar.
E agora o que eu faço sem você?
Responda-me?
Tire-me este no da garganta.
Esta angustia que invadiu meu peito,
levando-me a levitar.
Que me faz chorar...
Procurar algo para me agarrar.
Tentar assim me enganar.
Então olho para o seu retrato.
Na foto eu abraçada a ti.
No nosso último abraço.
Na nossa despedida.
Você sorri de contentamento.
Vejo o brilho nos seus olhos.
Naquele especial momento.
Você e eu...
E o nosso amor!
Um amor que não vai acabar
Que transcenderá
Tudo e todos.



23:55 22/03/2006 ( Meu adeus).

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