Aguardem... Ela vem aí...


Para escrever “A Mulher e a Consciência”, espetáculo teatral, tive que mergulhar no complexo universo feminino, com suas milhares de nuances, realidades e fantasias ... E dentre a multiplicidade de enquetes que este universo enseja, talvez uma das mais comuns e dramáticas seja a atitude preponderantemente feminina de abrir mão da luta pelo ideal de valorização profissional individual tão cultivado em nossa sociedade em prol dos cuidados com filhos, maridos, enfim, com a família.

Acredito que muitas pessoas, homens inclusive, ao assistirem este espetáculo irão se identificar com a personagem “Sara” que, já não tão nova, vê que os seus sonhos pessoais outrora tão acalentados ainda não tinham sido realizados simplesmente porque ela abriu mão deles em prol dos cuidados que a sua família demandava. Diante desta constatação tão eloqüente, indubitável, Sara compreende claramente que nenhum dever com o coletivo justifica a desistência do ideal individual. Assim, Sara, exorcizando os seus fantasmas internos, sente que precisa ir em busca de sua realização profissional, ideal que ela própria deixou para trás em virtude de uma errônea compreensão dos deveres com o lar e com a família.

É na estruturação desta temática tão comum ao universo feminino que transcorre o enredo.

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